segunda-feira, março 11, 2013

Ninguém gosta de fantasmas


Depois de o escrever será tarde demais, estará escrito
E poderá ser dito que, um dia, eu o pensei.

Terei pensado, de facto
E cometido o erro de o escrever, de lhe dar corpo
Remeter tudo para tinta, papel
E perpetuar-lhe o destino. Tu.

Depois de o escrever...

Não que me apontem o dedo e digam:
"Eis o homem que escreveu!"
Que gritem "este homem mentiu!"
Ou que o mundo se solte das fundações.
Não.

Serão apenas palavras sem sentido,
Tê-lo-ão perdido algures depois, talvez não todo mas a maior parte
E continuarão a existir, apenas como fantasmas.

Mas ninguém gosta de fantasmas. 

sábado, outubro 16, 2010

pág. 27, caderno azul

Por vezes parece alterável, como nos filmes que conhecemos e que ao rever ficamos à espera que seja desta que ela não abra a porta ou que ele não morra na explosão.
Por vezes parece alterável.
E por vezes pareces tu, mas quase nunca és tu.

Há qualquer coisa de gratificante em não esquecer.
Não me perguntes o quê, porque não sei.
Por vezes parece alterável.

terça-feira, setembro 14, 2010

pág. 12, caderno azul

No dia em que me esquecer de uma serie de coisas terei-me esquecido de uma serie de coisas que estava ansioso por esquecer.

Mas esquecer não será o verbo, nem ansioso o adjectivo.